quinta-feira, 18 de maio de 2017

24h

As primeiras 24h eu nem vi passar. Foi tempo parado naquele limbo em que a gente não se mexe e mesmo assim tudo dói. Foi ouvido tampado pro barulho do mundo. Foi lágrima que mal chega e já tem que dar espaço pra outra que veio atrás.

Foi tontura e fraqueza, e soluço, e choro, e tontura, e fraqueza. Foi corpo encolhido no próprio corpo, tentando reparar aquela dor que ficou ali embaixo da costela. 

Foi dor que tira a fome, tira o tino, tira tudo que era chão e te deixa caindo num abismo escuro, até que você se estabaca e não sabe nem onde caiu. 

E ali, com o corpo já esgotado de ser judiado, com os hematomas sangrando e latejando mesmo sem ninguém ver, foi fim. Fim da batalha, fim da luta, fim da guerra. Fim da ilusão, da esperança, fim da força.

Foi nosso fim.

Foi nosso fim.